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31 de Julho de 2021

A personalidade, o "homem de bem" e o crime

Será que qualquer um de nós seria capaz de cometer um crime?

Alex Ciqueira, Advogado
Publicado por Alex Ciqueira
ano passado

Será que você seria capaz de cometer um crime sendo tomado por uma emoção repentina em determinada situação?

Mesmo que você diga que não, provavelmente cometeria sim.

Na própria Bíblia há relatos de homens de bem, tementes a Deus, que cometeram crimes, sejam mais ou menos graves.

Pedro, por exemplo, atacou o guarda que iria capturar Jesus, cortando sua orelha (1 João 18:10). Hoje, Pedro, provavelmente seria denunciado por tentativa de homicídio, pois na verdade não sabemos se a intenção era somente ferir ou não.

Davi, ordenou a morte de seu soldado Urias, um homicídio sob encomenda (2 Samuel 11:15), o qual seria qualificado na atualidade, para esconder outro erro: ter dormido com a esposa da vítima. Desta forma, eliminando o mais interessado no fato, toda o perigo para sua reputação morreria.

Entre tantos outros exemplos de homens de bem que cometeram crimes no passado e ainda cometem na atualidade, pois o instinto de sobrevivência do homem não mudou. Estamos apenas mais contidos pelas regras em sociedade.

Mas ao ver sua propriedade ser atacada, sua esposa, marido, filhos, filhas, mãe ou pai serem violentados não há norma social que segurem o instinto de proteção.

A violência é também uma forma de afirmação, de controle e de poder. Grande parte dos atos de violência, e destaco aqui o homicídio, as pessoas que os cometem, agem por impulsos e são consideradas normais (STRÜBER, MONIKA E ROTH, 2006, p.40).

Entretanto por razões subjetivas, num dado momento, que lhes parecem justificáveis, muitos tomam consciência da gravidade e da irreversibilidade do ato somente depois de cometê-lo (Abdala, 2006, p.40). Fica explícita a imprevisibilidade da violência, assim como características comuns do agente agressor: baixa tolerância à frustração, capacidade reduzida de compreensão e instantaneidade no ato.

Outra questão importante e comum é a influência social: a pobreza, desigualdade social e má distribuição de renda também seriam fatores determinantes para o crime.

E não adianta você dizer que “jamais faria isso no lugar do acusado”, pois afirmações realizadas com o copo de Toddynho na mão sentado em uma poltrona confortável enquanto verifica o feed de seu instagram são muito fáceis de serem tomadas. Pois há uma grande diferença entre estar em uma guerra de verdade e estar em uma guerra através dos jogos de vídeo game.

CIQUEIRA ADVOCACIA CRIMINAL - TRIBUNAL DO JURI (RJ/SP/MG)

CONTATOS: (21) 96981-9619 - E-mail: alexciqueiraadv@gmail.com

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