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4 de Março de 2021

Diversão, frustração e violência!

Alex Ciqueira, Advogado
Publicado por Alex Ciqueira
há 6 meses

Parece que a cada dia que se passa a sociedade torna-se ainda mais violenta e eu não estou falando somente dos ditos criminosos que cometem violência, mas falo principalmente dos ditos “cidadãos de bem” que estão atrás de seus celulares, que estão em suas poltronas confortáveis, com sua família “perfeita”, vendo TV e suas Bíblias abertas (e empoeiradas) na estante da sala.

E também dos ditos “pessoas do bem”, “politicamente corretos”, do “paz e amor”, “amor às plantas, aos animais e ao planeta”.

A violência usada para “desabafar”, “colocar para fora” as frustrações da própria vida, suas fúrias e a falta de sentido da própria existência não é novidade.

Os primeiros Cristãos, na Roma antiga, morriam de formas “criativas” nas mãos de gladiadores ou nas garras de animais. Esses espetáculos ofereciam simulações de batalhas, teatros com histórias mitológicas ou lutas – de animais, de gladiadores ou de animais e gladiadores contra prisioneiros.

Um verdadeiro “show” para o povo.

Atualmente as coisas não mudaram muito em relação à mentalidade violenta e a paixão pela violência, mudou-se apenas o modo como violentar o próximo.

Atitudes como o linchamento virtual (cultura do cancelamento) entre outros só mostram o quanto grande parte dos seres humanos são pobres de espírito.

Os programas mais assistidos na TV não são os mais educativos (se é que existe algum), mas são os mais violentos como os jornais sensacionalistas que ganham público expondo as misérias e falhas humanas em um verdadeiro tribunal onde se acusa, se julga e a audiência sedenta por sangue dá a sentença.

As notícias mais procuradas e mais lidas não são as boas notícias, são as “tretas”, as fofocas, a difamação, enfim, a violência em qualquer grau, seja física ou psicológica.

Fato é que as pessoas se apegam à violência ao próximo como forma de reduzir suas angústias, suas mazelas, suas frustrações. Sentem “prazer” na dor do próximo, no fracasso do outro, no “cancelamento” de quem discordam pelo simples fato de serem fracas, por não terem tido a coragem do outro de buscar o seu próprio lugar ao sol.

Dessa forma só lhes resta invejar, puxar para baixo, trazer más notícias e torcer para que tudo dê errado.

Eu não concordo com tudo o que vejo e discordar faz parte, argumentar faz parte, mas tudo isso é muito diferente de simplesmente ser um ressentido que busca “matar” virtualmente aqueles que de alguma forma lhe incomodam ou simplesmente torcer para que o outro seja jogado na cova dos leões para que sirva de espetáculo ao público sedento por sangue.

“Crucifica-o! crucifica-o!” gritou o povo sedento de sangue e cheio de frustrações individuais.

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